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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Embalando a sustentabilidade

Como falar com o consumidor final sobre os esforços da empresa em relação à sustentabilidade? Num mundo em que a atenção está cada vez mais fragmentada, dispersa por várias mídias e formatos, em que os canais tradicionais da informação competem o tempo todo com mídias sociais, "posts" de amigos virtuais e mensagens curtas e dinâmicas, com certeza não é apelando para a boa e velha propaganda - "o anúncio" que o fabricante vai conseguir isso.
Uma saída que a indústria da moda tem adotado com frequencia é a produção de embalagens que explorem o conceito de sustentabilidade, e a introdução de pequenas tags informativas, que abordam as características do produto.
Alguns exemplos de fabricantes de roupas esportivas, um ramo da indústria que vem explorando bastante a vertente ecológica de suas peças :

Embalagem da Puma para uma camiseta - além de ser biodegradável, o saco usa menos material porque a camiseta foi dobrada ao meio.

"Sou metade do saco que costumava ser" - brincando com a música do Nirvana, "I'm half the man I used to be"
A mesma camiseta recebeu uma etiqueta com os aspectos ecológicos que formariam uma eco-tabela:

frente

verso

O uso da etiqueta presa à roupa para ressaltar os atributos ecológicos do produto também é utilizada pela Marmot, outra fabricante de vestimentas esportivas.  Desta vez, para ressaltar que utiliza o Ecofren, uma fibra produzida a partir de garrafas pet recicláveis (clique aqui para conhecer o processo de produção do fio)
 As duas etiquetas vistas de frente.
 Verso da tag da Ecofren, que destaca a economia de energia e de óleo gerada pela reciclagem das pets.
  Etiqueta da Marmot na parte de trás: destaque para o uso de papel reciclado e de tinta à base de soja.

E por aí temos vários outros exemplos, que demonstram que a indústria vem se dedicando a encontrar canais de comunicação mais diretos com seus públicos consumidores para destacar os atributos sustentáveis na produção.
A questão que fica é que a produção caminha para ser mais ecológica. Mas e quanto ao consumo? O desenvolvimento sustentável é apenas produzir de maneira menos agressiva ou implica também em repensar a maneira de consumir, de usar e de descartar?

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Acidente em Campos é semelhante ao do Golfo do México

O alerta é do Greenpeace:

Uma semana desde que foi noticiado o derrame de petróleo da empresa Chevron no Campo de Frade, na Bacia de Campos, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) finalmente se pronunciou e estima que o vazamento possa chegar a mais de 330 barris - ou mais de 50 mil litros de petróleo a cada 24 horas. Segundo o Jornal O Globo,  o acidente é até oito vezes maior do que o estimado pela petrolífera americana em seu comunicado do dia 16/11. Em vez dos 400 a 650 barris informados pela companhia, já seriam mais de três mil de barris derramados. (veja a reportagem de O Globo)

O acidente reproduz a história do vazamento da BP no Golfo do México, em 2010, e, coincidência ou não, a plataforma SEDOC 706, que perfura os três poços da Chevron de onde saiu o vazamento, é da mesma empresa que operva com a BP no episódio mexicano, a Transocean.

(para ler na íntegra o texto do Greenpeace, clique aqui)

No jornal da Band desta quinta, 17/11, o âncora Ricardo Boechat comentava que além de custar a admitir a seriedade do acidente, a Chevron ainda apresenta uma enorme dificuldade em fornecer informações. São evasivas, silêncios, negativas. A empresa simplesmente não fala. O jornalista questionou qual será a atuação das autoridades, já que no episódio semelhante, envolvendo a BP, as multas foram pesadas.

Lógico que punir a companhia e cobrar pelos prejuízos ao meio ambiente é fundamental. Cabe, porém, outra reflexão neste caso.

Em tempos em que as empresas anunciam que perseguem a transparência, o relacionamento com seus públicos e o diálogo permanente, elevando assim a Comunicação a um lugar estratégico, a Chevron parece se ancorar numa perspectiva segundo a qual o mundo corporativo dita as regras sem encontrar interlocutores que a questionem ou que a ela se contraponham.

Ao se fechar no silêncio e tatear no seu posicionamento público, a Chevron também nos indica o que acontece a uma empresa que não valoriza a Comunicação como elemento fundamental na construção de credibilidade, reputação, imagem positiva.

Um único episódio, tantas lições. Será que iremos aprender?