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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

COP 17 pode desaguar (e desandar) na Rio +20

Os impasses em torno da Convenção do Clima, na reunião de Durban (a COP 17), parecem apontar para um aumento das expectativas em torno da Rio +20. Ignorando a urgência por ações imediatas, os grandes emissores - Brasil aí incluído - defendem que um novo acordo só seja implementado a partir de 2020, e não mais após 2012. A China anunciou que poderá aderir a um acordo com metas de redução de suas emissões de gases-estufa (O Globo, 3/12/2011). Há muitas dúvidas sobre a renovação do Protocolo de Kyoto e um grande pessimismo em torno dos acordos climáticos na COP 17. Sem solução à vista, o remédio seria "adiar para a Rio +20". Ou, em bom português, empurrar com a barriga.

Um texto bastante interessante sobre o assunto foi publicado pelo Estado de São Paulo na sexta, 02/12/2011. Escrito pelo jornalista Washington Novaes, um dos primeiros a realizar reportagens sobre temas ambientais no Brasil, o artigo merece a leitura exatamente porque levanta questões sobre a efetividade de Durban e até mesmo sobre o que se pode esperar em relação à Rio +20. (Clique aqui para ler o artigo).

A velha prática de resolver amanhã o que se deveria fazer hoje pode no fundo apenas dissimular que, no que se refere às questões ambientais, existe uma complexa teia de interesses econômicos, políticos e empresariais.

Com este quadro, o que podemos mesmo esperar da Rio +20?

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mudança do Clima no Brasil

Recentemente, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou o livro Mudança do clima no Brasil: aspectos econômicos, sociais e regulatórios, que pode ser lido gratuitamente aqui.

Em 437 páginas, o livro traz um debate amplo e extremamente atual sobre as mudanças climáticas e as políticas públicas e ações brasileiras correspondentes a esse fenômeno.
No lançamento, em Brasília, os capítulos do livro foram detalhados em três apresentações: Aspectos regulatórios e sociais das mudanças climáticas no Brasil, As mudanças climáticas nos diversos setores da economia brasileira, e O Brasil e as negociações internacionais sobre mudanças climáticas.
Falando em negociações internacionais, em dois jornais impressos hoje a Rio+20 teve destaque, em O Globo e na Folha de São Paulo. No primeiro, o foco é o evento em si, os resultados que são esperados dele e o papel de destaque do Brasil. Já no segundo, o principal aspecto da matéria é a Amazônia, tema sempre recorrente quando se fala em meio ambiente.
A seguir, a íntegra das notícias: 

O Globo, 27/9/2011

LIDERANÇA BRASILEIRA
Coordenador da Rio+20 quer que encontro produza resultados objetivos

Publicada em 27/09/2011 às 03h03m
Cesar Baima (cesar.baima@oglobo.com.br)

RIO - Daqui a menos de um ano, em junho de 2012, o Rio de Janeiro estará novamente no centro das discussões mundiais sobre o meio ambiente, com a realização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Mas, se na Cúpula da Terra de 1992 as conversas foram em torno de uma política global, com muitas palavras e boas intenções, mas poucas medidas concretas, o encontro do ano que vem terá foco na ação, com o estabelecimento de metas práticas para o uso dos recursos do planeta, diz Brice Lalonde, coordenador executivo da ONU para a Rio+20.
- Os princípios já foram decididos e agora precisamos de ação, menos palavras e mais compromissos - afirma o diplomata francês, que está no Rio para participar do 4º Congresso Internacional sobre o Desenvolvimento Sustentável, entre hoje e quinta-feira no Píer Mauá. - Teremos metas de desenvolvimento sustentável que serão unidas aos objetivos do milênio. Para cada uma destas metas teremos um plano de ação e uma coalizão de esforços entre as partes.
Um dos caminhos, acredita Lalonde, é a instituição de algum tipo de remuneração pelos serviços ambientais prestados pelos países pobres e em desenvolvimento como forma a incentivar a preservação. Os recursos para isso poderiam vir, por exemplo, da instituição de uma taxa sobre as transações financeiras internacionais, ideia já lançada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também defendida pelo diplomata francês.
- Precisamos de um novo tipo de cálculo do Produto Interno Bruto que contabilize essa infraestrutura ecológica - diz. - Se esse capital natural não for protegido, todos vão pagar e um dia não teremos água para beber, peixes para comer ou ar para respirar.
Neste sentido, Lalonde aposta que o Brasil pode assumir uma posição de liderança no processo. Com bons sistemas de monitoramento e estatísticas sólidas, o país também já tem políticas internas em que "se paga para preservar", diz Lalonde.
- O Brasil estará no centro do mundo nos próximos dez anos, sediando eventos importantes - lembra. - Todos querem direção, liderança e melhoria da cooperação, e no século XXI serão países como o Brasil que estarão nesta posição.
O otimismo de Lalonde, porém, esbarra na dificuldade das negociações multilaterais características dos últimos encontros da ONU sobre ambiente, que exigem que os acordos sejam aceitos por todos ou não há acordo.
- Temos que melhorar as negociações e discutir quais serão as ferramentas para isso - defende o diplomata.

Folha de São Paulo - 27/09/2011 - 09h37

Organizações discutem prioridades da Amazônia para a Rio+20

DA AGÊNCIA BRASIL
A Amazônia será um dos focos das discussões da Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), a Rio+20, que o Brasil vai sediar em junho de 2012.
Para definir as prioridades da região a caminho da economia verde, um grupo de organizações da sociedade civil, representantes de governos, povos tradicionais, empresários e movimentos sociais estão reunidos nesta terça-feira em Belém para definir uma agenda amazônica para a conferência.
A ideia é debater como aplicar o conceito de economia verde à região, melhorando os indicadores de desenvolvimento sem comprometer a conservação da biodiversidade.
Entre os temas que vão nortear o debate estão a inclusão social e educação, a gestão e consolidação de áreas protegidas e os desafios para efetivar a regularização fundiária nos estados amazônicos.
Também estão na pauta as grandes obras de infraestrutura que os governos têm planejado e levado adiante na região, como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), alvo de críticas de ambientalistas e movimentos sociais.
O Seminário Regional sobre Economia Verde da Amazônia: Amazônia Rumo à Rio+20 faz parte da iniciativa Diálogos Nacionais, que já discutiu a agenda das regiões Sul e Centro-Oeste para a conferência. As propostas serão apresentadas ao governo e deverão subsidiar o documento que o Brasil apresentará à ONU com as contribuições para o debate.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Posse Verde - Um sinal de mudança

A cor figurou em destaque na posse de Barack Obama como o primeiro negro a tornar-se presidente dos Estados Unidos. Verde pode igualmente revelar-se uma cor importante, com os compromissos ambientais de Obama para dar o tom do enfrentamento da crise climática. "As formas que usamos a energia," afirmou Obama em seu discurso inaugural, "ameaçam o nosso meio ambiente". Ele propos outro caminho: "Vamos aproveitar a energia do sol, do vento e do solo". As 12h01min, o site da Casa Branca (whitehouse.gov) tinha postado a agenda da administração de Obama, destacando planos para a energia e o ambiente, terminando com a afirmação clara: "Fazer dos EUA o líder das alterações climáticas". Em inglês, "Make the US a Leader on Climate Change." A mudança, aqui, é claro, significa um freio no aquecimento global, mas principalmente o reconhecimento que a ação do homem (especialmente a norte-americana)tem trazido impacto sobre o ambiente.

Transformar esta retórica em ação é a tarefa não só da administração Obama, mas também de toda a comunidade norte-americana. Organizações voltadas para a defesa da sustentabilidade se esforçaram para tornar mais ecológicos os eventos da posse. A entidade Native Energy forneceu compensações para todas as estimativas de emissões de carbonos associadas com o a festa Monday's Green Inaugural Ball,que contou com patrocínio de entidades ambientalistas.

Sobre a posse propriamente dita, a Leonardo Academy, uma entidade sem fins lucrativos que incentiva a sustentabilidade, anunciou a campanha "Vamos Todos Ajudar o Presidente Obama a Fazer a Posse Verde!", incentivando os donativos para a compra de certificados de emissões de carbono, como compensações para a realização do evento que reuniu cerca de 2 milhões de pessoas de várias partes do mundo. Se cada um no país doasse 20 dólares para a campanha, seria possível arrecadar US$ 6 bilhões.

Isso equivale a mais de metade dos US$ 10 bilhões que a Administração Obama está alocando para energia limpa num pacote de estímulo à econômica de US$ 300 bilhões, de acordo com a jornalista Francesca Rheannon, do blog Sea Change Radio. Segundo ela, este percentual baixo porde atrasar ou desviar a atenção das promessas ambientais de campanha em função da crise econômica

Apesar deste senão, comparado com o que vimos durante o governo Bush, o Plano de Recuperação e Reinvestimento de Obama, no que diz respeito à produção de energias renováveis, é extremamente ambicioso. No entanto, dada a pequena percentagem de energia produzida por fontes renováveis no momento nos EUA., o plano pode ficar aquém das metas necessárias para transformar a economia de energia limpa.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

PORTAL SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS ENTRA NO AR





Nesta segunda-feira 1, quando teve início em Poznan, na Polônia, a 14ª Conferência das Partes (COP-14) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), entrou no ar o portal http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/, destinado exclusivamente ao tema das mudanças climáticas. A iniciativa é da Embaixada do Reino Unido no Brasil, do Conselho Britânico e da Agência de Notícia dos Direitos da Infância – ANDI.


De acordo com a Andi, o portal vem enriquecer e facilitar a cobertura do tema pela imprensa, assim como a realização de pesquisas e trabalhos tanto acadêmicos quanto de outros níveis de ensino. Trata o assunto 'mudanças climáticas' de forma clara, acessível e abrangente. Oferece informações e reflexões contextualizadas, de maneira que o fenômeno apresente-se como de fato é: uma questão transversal, ou seja, que afeta todos os setores da sociedade. Para isso, conta com recursos extras, como vídeos, gravações de depoimentos, fotografias, entrevistas e artigos livres de copyright, desde que citadas as fontes. Especialmente aos jornalistas, devem interessar o glossário de termos da área e, sobretudo, o banco de pautas.


Alguns exemplos do vasto cardápio do portal:



  • Conceitos e definições.

  • A agenda do clima.

  • Busca de alternativas.

  • Ciência do clima.

  • Causas, impactos, soluções.

  • Críticas e contrapontos.

  • Políticas públicas.

  • Clima e imprensa.