segunda-feira, 28 de abril de 2008

Do verde-bebê ao verde-musgo

A revolução verde, motivada pela crescente preocupação com a crise climática, está fomentando a demanda por produtos ecológicos - o que infelizmente também alimenta a tentação do marketing de pintar os produtos mais verdes do que eles realmente são. Enquanto alguns consumidores estão se tornando mais atentos às questões ambientais, de acordo com uma recente pesquisa, o excesso de propaganda verde continua a jogar areia sobre os olhos de muitos.

Um recente relatório sobre o consumo consciente, desenvolvido pela agência BBMG para o Centro para Cidadania Corporativa do Boston College, encontrou um saudável ceticismo. Consumidores preferem atributos ambientais bem específicos, como "reciclável", "biodegradável" e "produzido localmente", em vez de genéricos rótulos "verdes", de acordo com mais de 200 adultos pesquisados.

A pesquisa, batizada de The BBMG Conscious Consumer Report identificou uma distância "verde" entre a inocência dos consumidores e a realidade. Quase metade dos entrevistados consideram que "ambientalmente amigável" significa "positivo" ou "benéfico" para nossos ecosistemas, com menos de um quarto reconhecendo que isso signfica "menos negativo" que o produto antecessor ou que o concorrente. Quase a metade dos pesquisados também acreditam que os anúncios ambientais corporativos são honestos e precisos.

Para saber mais sobre o relatório -- http://www.bbmg.com/index_news.html

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Greenpeace inicia campanha contra Dove

Segundo o Greenpeace, a Unilever, fabricante dos produtos Dove, compra óleo de palmeira de fornecedores que destroem as florestas da Indonésia, o que estaria causando devastação, extinção de espécies e mudança climática. Para impedir isso, a organização lançou uma campanha de coleta de assinaturas e colocou no ar o seguinte vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=odI7pQFyjso
Verdade ou exagero, o certo é que precisamos mesmo pensar como são feitos os produtos que usamos no nosso dia-a-dia. E de onde de fato vem a responsabilidade social empresarial.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Leitores & transparência

Em tempos de responsabilidade social na mídia, seja em notícias ou em peças publicitárias, cabe a pergunta: o compromisso de um jornal com seus leitores não passa pela transparência?
 
Um exemplo para reflexão é a despedida do ombudsman da Folha de São Paulo, Mário Magalhães, no cargo desde abril de 2007. Segundo a própria Folha, o ombudsman tem mandato de um ano, renovável por mais dois. Não pode ser demitido durante o exercício da função e tem estabilidade por seis meses após deixá-la. Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores, recebendo e verificando suas reclamações. Até ontem dia 6, estas críticas eram veiculadas diariamente na internet. A partir de hoje, a coluna será publicada somente aos domingos. Este foi o ponto de discórdia entre jornal e ombudsman, que levou à não renovação do mandato de Magalhães.
 
Para ler a íntegra da despedida, acesse: URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsma/om0604200801.htm

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Pesquisa mostra que consumidor não acredita nas ações empresariais de RSE

Esta é a principal conclusão do estudo desenvolvido pelo Instituto Akatu e pelo Instituto Ethos. A pesquisa aponta que os consumidores têm interesse em saber o que as empresas estão fazendo em termos de responsabilidade social, mas que não confiam nestas atividades.
Um ponto interessante para se refletir, principalmente quando vemos que a estratégia de comunicação mercadológica de boa parte das empresas hoje está associada com a responsabilidade social.
Para dar uma olhada na síntese da pesquisa, o link é http://www.ethos.org.br/_Rainbow/Documents/Sumario_RSE_2006_2007.pdf

domingo, 30 de março de 2008

Oportunidades em comunicação e reponsabilidade social


Apesar do crescente interesse pelas atividades de responsabilidade social, e do maior envolvimento dos profissionais de comunicação com estes projetos, ainda são raras as oportunidades de trabalho na área.
 
Um dos caminhos para se encontrar uma brecha é o blog Comunicação & Cidadania, que passou a publicar oportunidades de trabalho para profissionais de comunicação
interessados em atuar (de forma remunerada ou voluntária) em ONGs ou projetos sociais.

Quem desejar anunciar vagas (somente na área de comunicação) pode remeter o
texto para comcidadania@terra.com.br , indicando, além dos detalhes da vaga,
o nome e os contatos da pessoa responsável pela seleção.

domingo, 23 de março de 2008

Dia Mundial da Água


Só para registrar: ontem, 22 de março, foi o Dia Mundial da Água. A escassez de água já afeta 1,2 bilhão de pessoas em todo o mundo, segundo a Agência da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). A cada 20 segundos morre uma criança vítima de más condições de saneamento que afetam cerca de 2,6 bilhões de pessoas no mundo, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).


A data foi foi instituída em 1992, durante a conferência da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento (Eco 92), que aconteceu no Rio de Janeiro.

Neste ano, coincide com o Ano Internacional do Saneamento, estabelecido pela organização para lançar um alerta sobre a falta do recurso que ainda atinge populações ao redor do planeta.

Menos de 3% das águas da Terra são doces e, destas, mais de dois terços estão inacessíveis para consumo humano. O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível no mundo, sendo que mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do país.
O aumento do acesso à água potável é uma das metas de desenvolvimento para o milênio estabelecido em 2002, na reunião de cúpula de Johannesburgo (África do Sul). Segundo a meta, é preciso reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso ao recurso no mundo até 2015.

A Vale é Verde?

Recebi estes dias um email falando de um texto publicado na Revista Piauí, de Luiz Maklouf, sobre os crimes ambientais da Vale. Como sempre cito a Vale em minhas aulas, como um exemplo de empresa que utiliza a responsabilidade social como parte da sua estratégia de negócio, fiquei intrigada com o artigo. Confira a seguir:

A Vale é Verde?

LUIZ MAKLOUF CARVALHO

Em maio fará dez anos que a Companhia Vale do Rio Doce foi privatizada. No mês seguinte, ela completa seu sexagésimo-quinto aniversário. Segunda maior mineradora do mundo (a maior é a anglo-australiana bhp Billiton), a empresa anunciou que gastará até o fim do ano mais de 400 milhões de reais na preservação do meio ambiente. É quatro vezes mais do que desembolsou em 2004 em projetos ecológicos. O investimento reforça sua imagem de companhia "verde", estratégia importante para ganhar pontos num mercado internacional cada vez mais sensível às questões ambientais.
Paradoxalmente, a Vale é também a mineradora campeã em multas do Ibama, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente. Desde a privatização, levou 56 autos de infração, no valor de 37 milhões de reais. A mineradora não reconhece a maioria deles. Defende-se com recursos ao órgão e a outras instâncias do Ministério do Meio Ambiente. No ano passado, as multas chegaram a 2,9 milhões de reais. Apenas 217 mil foram pagos.
"A Vale deveria ser a nossa melhor parceira, mas ela nos trata na base do chute", diz o engenheiro florestal Edivaldo Pereira da Silva, gerente executivo do Ibama em Marabá, no Pará, estado onde se concentra o grosso das multas. A companhia tem uma avaliação oposta. "Nossa parceria institucional com o Ibama é excelente", garante o economista Maurício José Lima Reis, diretor de gestão ambiental da Vale. "Isso não significa que não haja acidentes."
Nos escalões superiores do Ibama, a avaliação da Vale, ainda que negativa, não é tão crítica. O diretor de licenciamento ambiental, Luiz Felippe Kunz Jr., confirma que a empresa desrespeita com freqüência a legislação, mas frisa que esse comportamento não destoa do de outras grandes mineradoras. E ressalva que nunca houve interrupção do diálogo entre a companhia e o Instituto — apesar da repetitiva seqüência de autuações e recursos.
No ano passado, o Ibama multou a Vale catorze vezes, acusando-a de consumo de carvão proveniente de floresta nativa, de provocar incêndios em áreas de preservação ambiental, de destruir florestas permanentes e de manter em funcionamento serviços potencialmente poluidores. O auto de infração mais salgado — de 2 milhões de reais — foi lavrado em julho, por operação irregular e de risco nos postos de combustível das minas de ferro de Carajás, no município de Parauapebas.
As notas técnicas e os relatórios de vistoria do Ibama relacionam quinze infrações em meia dúzia de postos. Os problemas vão de rompimento de bacias de contenção a vazamentos contínuos em válvulas e tubos. Como se trata de postos nas imediações de linhas férreas de trânsito intenso, as infrações foram consideradas particularmente perigosas, pois as faíscas, conforme diz um relatório, aumentavam "o risco de incêndio/explosão". Os postos têm outras deficiências: fissuras em pisos, infiltração em muretas, falta de manutenção nas linhas, juntas e registros das bombas, indícios de contaminação e até "insuficiência de materiais de combate a incêndio, como extintores".
Além da multa de 2 milhões de reais (da qual está apelando), a Vale sofreu uma punição inédita em Carajás: o embargo do posto de abastecimento do pátio de manobras dos trens. Durante os últimos sete dias de julho passado, ele foi simplesmente proibido de funcionar. Se a sanção fosse contra o setor aéreo, durante uma semana nenhum avião programado para Guarulhos poderia abastecer nas bombas disponíveis no aeroporto.
Suspenso o embargo, houve nova fiscalização no mês seguinte, agosto. A nota técnica resultante concluiu que, "diante do quadro alarmante" e do "perigo iminente de incêndio/explosão", o embargo deveria voltar. Não voltou porque a direção do Ibama não quis. Só em outubro, depois que a Vale tomou providências, outra nota técnica suspendeu formalmente a proibição.
"O certo, em termos de segurança, era ter feito outro embargo e aplicado outra multa — agora seria de 50 milhões de reais —, mas o pessoal de Brasília fez uma avaliação diferente", diz o engenheiro Pereira da Silva, o homem do Ibama em Marabá. Ele acha que "a Vale do Rio Doce, arrogante como ela só, ignora o Ibama" da região. A maior prova, segundo ele, é a reação da Companhia à multa da mina do Sossego, em Canaã dos Carajás.
Trata-se de uma multa, até hoje não paga, de 2 milhões de reais, aplicada em maio de 2004 por causa de danos na Floresta Nacional de Carajás, onde a empresa lançou rejeitos que deveriam ter sido confinados a lagos artificiais. Maurício Reis, diretor da Vale, admite que "aconteceu realmente um acidente na operação inicial e a Vale imediatamente acatou a multa". Acatou, mas não pagou. Nem os 2 milhões, nem o que foi acertado, na Justiça Federal, para a conversão dessa dívida: a construção de dois centros de triagem de animais silvestres que seriam operados pelo Ibama. Reis atribui o não-pagamento "à burocracia do Ibama".
O Instituto discorda. De acordo com o diretor Luiz Felippe Kunz Jr., para quitar o que deve, a Vale teria simplesmente de assinar um termo de conversão da multa. "Mas com isso eles se tornariam réus confessos em relação ao dano causado, o que não é bom para a imagem de uma empresa preocupada com o meio ambiente." Maurício Reis afirma que a empresa cometeu "uma besteira" na mina do Sossego. E se diz tão interessado quanto o Ibama em resolver logo a pendência: "Mas entra a vírgula daqui, a vírgula dali, o advogado de lá, o advogado de cá e não se consegue fazer a coisa".
Em dezembro, o Ibama mandou um ofício à Vale informando que a inscreveria no Cadim, o cadastro dos créditos não quitados, e partiria para a execução fiscal. Deu quinze dias para a empresa se pronunciar. O prazo venceu em 14 de janeiro. A Vale respondeu uma semana depois. Disse que tem interesse em pagar a multa, mas solicitou que o Ibama agendasse mais uma reunião.
Por conta da mesma multa, a empresa responde ainda a duas ações públicas do Ministério Público Federal: uma civil, na qual se pede uma indenização de 10 milhões de reais, e outra criminal, já aceita pelo juiz destacado para o caso.
As protelações continuadas se explicam pela lentidão geológica da Justiça. No caso de multas ambientais superiores a 50 mil reais, a legislação prevê recurso a quatro instâncias administrativas: ao superintendente do órgão que multou, ao presidente do Ibama, ao ministro do Meio Ambiente e ao Conselho Nacional do Meio Ambiente. Sem contar que, depois de tudo isso, a empresa ainda poderá apelar a todas as instâncias judiciárias. A possibilidade de tantos recursos, como diz Kunz, faz com que "as empresas demorem muito a sentir no bolso a responsabilidade pelo dano causado".
A estratégia ambígua da Vale de investir no meio ambiente e paralelamente recorrer das multas não é uma invenção da administração privada. A maior das estatais, a Petrobras, também é uma das maiores infratoras das leis ambientais do país. Além do mais, desde a privatização o investimento da empresa na área se multiplicou, assim como a cobrança dos órgãos ambientais. Entre 1979 e 1989, por exemplo, no período anterior à privatização, a Mineração Rio do Norte, ligada à Vale, provocou um dos maiores desastres ambientais da Amazônia: despejou 24 milhões de toneladas de rejeitos da lavagem de bauxita no lago Batata, no Pará. Não houve multa, nem ação do Ministério Público.