terça-feira, 3 de agosto de 2010

Quando o chumbo invade o batom

A maioria dos cosméticos que utilizamos diariamente está contaminada com toxinas capazes de causar diversos problemas de saúde, como câncer, dificuldade de aprendizado e até infertilidade masculina. O alerta está no vídeo The Story of Cosmetics, lançado no final de julho pelo projeto The Story of Stuff, que já produziu outros documentários no mesmo estilo (A História das Coisas, A História da Água  e a História do Comércio de Emissões - Cap & Trade, que podem ser conferidos no site do projeto).  A apresentadora Annie Leonard afirma que o uso contínuo de cosméticos está adoecendo toda a sociedade. 

Annie levanta pontos importantes referentes ao processo de decisão de compra do consumidor, mostrando os tipos de argumento que as empresas usam para atrair e estimular o consumo de determinados cosméticos.
O vídeo provocou reações como a proposição por alguns deputados de uma lei dos cosméticos seguros, que substituirá a atual legislação que já tem 70 anos, e dará autoridade à agência norte-americana FDA para garantir que o produtos de higiene pessoal estarão livres de ingredientes perigosos à saúde.

The Story of Cosmetics também foi chamado de "shockumentary", pelo Conselho de Produtos de Uso Pessoal. Shockumentary é um tipo de gênero de filmes documentais, algumas vezes parecidos com documentários de ficção, representando temas e cenas sensacionalistas

Confira abaixo o vídeo completo, com legendas em português. Ainda não há tradução oficial do vídeo.


The Story of Cosmetics (Português) from Guilherme Machado on Vimeo.


Enquanto assistimos ao vídeo, uma pergunta fica no ar: e no Brasil?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A ONU declarou 2010 o Ano Internacional da Biodiversidade. Agora em agosto, algumas empresas decidiram se organizar para criar o Movimento Empresarial pela Proteção e Uso Sustentavel da Biodiversidade. A iniciativa, que reúne as empresas Alcoa, Natura, Vale, CPFL Energia e Wal Mart, pretende criar um ambiente para o desenvolvimento da biodiversidade. O evento, a ser realizado na Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, no dia 5 de agosto, contará com a presença, dentre outras autoridades e lideranças, da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
Está previsto ainda o lançamento da Carta Empresarial pela Proteção e Uso Sustentável de Biodiversidade.
Além da cerimônia em si, é momento de discutir o que estas empresas entendem como biodiversidade e, mais especificamente, "ambiente propício para seu desenvolvimento".

Seis peças de roupa ou menos?

Não comprar nenhuma peça de roupa durante um ano inteiro ou usar apenas seis itens, ou menos, dos que já fazem parte do seu armário durante um mês. É o desafio “Seis peças ou menos”, lançada na internet por duas amigas americanas e que já tem aderência de cerca de cem pessoas espalhadas por diversos países.

Segundo Heidi Hackemer, uma das idealizadoras do projeto, o objetivo é “aguçar a criatividade das pessoas, para que invistam em acessórios e em outras maneiras de usar a mesma peça e, ao mesmo tempo, economizar dinheiro”.

“O importante é que as pessoas que aderiram à iniciativa levantaram a questão de como elas se relacionam com o que tem no armário e o que se ganha com isso”, afirma Eric Wilson, jornalista que entrevistou os participantes. “Elas destacaram que há uma preocupação com o que se gasta com roupas e o que se ganha com isso. O resultado dessa ‘dieta’ é que as pessoas vão ficar mais conscientes a respeito da forma com que se compram roupas”.

E você? Consegue escolher apenas seis peças do seu armário para usar durante 30 dias? Acesse o site, faça seu cadastro e conte sua experiência para consumidores do todo o mundo.

Clique aqui para assistir à reportagem feita pelo jornal americano New York Times sobre esta iniciativa e ver como Heidi conseguiu vencer esse desafio.

Fonte: Instituto Akatu

Copa de 2014 e Olimpíadas vão incorporar conceito da sustentabilidade

Se a sustentabilidade está em praticamente todas as peças institucionais de comunicação e nos eventos corporativos, não seria de se esperar que fosse diferente em relação à Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas de 2016. O Brasil tentará aliar o tema a estes eventos esportivos. O Coordenador da Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Ministério do Esporte, Claudio Langone, declarou recentemente ao Meio&Mensagem que o Brasil viverá um momento ímpar com a realização da Copa, das Olimpíadas e como país sede da Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em 2012.
"São oportunidades de o Brasil se apresentar para o mundo e o desafio é que esses esforços sejam cumulativos. A Copa será o primeiro evento sob vigência do novo regime climático global, que é mais exigente. A inovação tecnológica do País e o apelo pela preservação da Amazônia são desafios de uma agenda de sustentabilidade", disse ele ao jornal.
Resta verificar se o conceito entrará apenas como apelo de comunicação ou se terá realmente raízes na produção dos eventos.

Problemas com o blogger

Depois de algum tempo sem postar nada aqui no blog, estou tentando manter uma regularidade nas postagens. O que não falta é assunto, já que sustentabilidade é um daqueles conceitos guardachuva, que abriga várias possibilidades de sentido, mas ultimamente minha dificuldade é de outra ordem: o blogger. Não sei o que aconteceu, mas ele mudou a ordem dos gadgets no site, e este novo modelo que escolhi complicou mais ainda as coisas...
Enfim, vou tentar superar isso aos poucos!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Branding com Objetivo Social e transparência

Branding voltada para objetivos sociais (também conhecido como marketing de causa) será a próxima onda da diferenciação das empresas no mundo disputado do consumo. Isso porque ela fornece uma ligação emocional com a marca mais forte que a abordagem tradicional.
Esta é a opinião de Joe Sibilia, fundador e CEO da Meadowbrook Lane Capital (MBLC) , descrito pelo The Wall Street Journal como um "banco de investimento socialmente responsável". Ele é também o CEO da CSRwire.com , um serviço de notícias de responsabilidade social que distribui e arquivos sobre responsabilidade social / sustentabilidade notícias para jornalistas, analistas, investidores ativistas, acadêmicos, relações públicas e relações com investidores no mundo profissional.

Para ele, o Branding com Objetivo Social  não será uma divisão do departamento de marketing: para ser sustentável, deve estar embutido em cada aspecto do modelo de negócio, já que o consumidor da próxima geração vai premiar a transparência e autenticidade.

Transparência ainda é um grande ponto nevrálgico nas organizações, estejam elas já na era de pensar a sustentabilidade ou ainda procurando formas de se sustentar.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Marketing verde e greenwashing

 
O texto abaixo foi publicado originalmente em 9/7/2009, no site O ECO, escrito pelo catarinense Germano Woehl Jr, doutor em física pela UNICAMP, Pesquisador Titular do Instituto de Estudos Avançados, em São José dos Campos (SP) e ativista na defesa da Mata Atlântica através do Instituto Rã-bugio.
 
 

Desenho que foi premiado em um concurso promovido nas escolas públicas por uma empresa do setor florestal. Faz parte de uma cartilha de educação ambiental que a empresa distribui nas escolas.

Uma diretora de escola pública contou-me que a data que ela mais detesta é o Dia do Meio Ambiente. "As aulas são interrompidas para os alunos assistirem peças de teatro fajutas que a empresa traz de fora", justificou, muito irritada.

O que mais me surpreendeu foi uma outra diretora revelar que os alunos de sua escola já foram obrigados a se deslocarem quase  200 quilômetros até a sede de uma empresa do "setor florestal" para um evento extremamente chato no Dia do Meio Ambiente, sendo que o fretamento dos ônibus e demais despesas da viagem teve que ser bancada pela Secretaria de Educação do município, que é muito pobre, cujo orçamento para a área de Educação, como se pode imaginar, é sempre muito minguado.

Os dois casos acima são de municípios que tiveram quase todo seu território coberto por reflorestamento de pinus e eucalipto de empresas do "setor florestal". A indignação dos diretores e professores se justifica quando se folheia as cartilhas de "educação ambiental" que estas empresas distribuem nas escolas.

O desenho abaixo foi extraído de uma destas cartilhas, que menciona tratar-se do desenho selecionado através de um concurso promovido nas escolas no evento do dia da árvore. Reparem que já naquela época (2001) o aluno representou perfeitamente a mata ciliar de apenas cinco metros, redução que está em conformidade com o "Código Ambiental" de Santa Catarina, aprovado há poucas semanas. Mas o desenho vencedor do concurso não foi este. É o que está na imagem no topo deste artigo e não deixa dúvidas sobre quais são os objetivos destas empresas.

Desenho extraído de uma cartilha de uma empresa do setor florestal. Infelizmente é um retrato fiel da paisagem.

Esta cartilha não foi a pior que eu vi. Tem uma outra, também de uma empresa do "setor florestal", que conta uma história da amizade entre um menino e uma árvore. Logo no início, o menino reclama que está com muito frio e a árvore responde para ele cortar seus galhos secos e acender uma fogueira para se aquecer (para desespero dos diretores dos parques nacionais e do pessoal do previ-fogo do Ibama).

A historinha da cartilha de "educação ambiental" vai se desenvolvendo com a amiga árvore atendendo todos os desejos de consumo do menino (barco, casa, móveis...), mas sempre cedendo suas partes é claro. O curioso é que mesmo após ser derrubada e serrada, a árvore, ou melhor, suas tábuas continuam conversando com o menino. As paredes da casa conversam, bem como o casco do barco, a cama, mesa, cadeiras, carteira da escola... até os cadernos!

Estas empresas do setor florestal não são as únicas que utilizam as escolas para fazer marketing verde fortemente subsidiado com recursos públicos das prefeituras. Mas todas elas têm algo em comum: um tremendo passivo ambiental. Há casos de empresas que entram só com a idéia de projeto, daqueles bem manjados e sem nenhuma eficácia. Tudo é bancado pela prefeitura. É uma forma de parceria muito esquisita.

Os professores e diretores das escolas estão cada vez mais atentos a estas investidas das empresas e já começam a se rebelar e questionar estes abusos contra o ensino público. Eles percebem quando estão sendo usados apenas para o marketing verde de empresas. Mas são ameaçados e até demitidos, no caso de professores temporários e diretores. Conheço o caso de uma diretora de escola municipal que perdeu o cargo por este motivo.

O que deixou muitos professores perplexo no ano passado foi terem recebido uma advertência das esferas superiores de que eram obrigados a participarem do prêmio anual de uma grande empresa. Isto ocorreu logo após a primeira reunião com os representantes da empresa, quando nenhum professor compareceu. Tiveram que participar na marra.

Mas não são apenas os diretores de escolas e professores que odeiam as datas comemorativas relacionadas com o meio ambiente. Nos últimos anos não temos mais conseguido espaço nos jornais nestas datas, justamente devido a esta competição com os eventos oportunistas das empresas.

Mesmo com projetos inovadores de larga escala feitos com critérios científicos, sob a orientação de especialistas das melhores universidades do Brasil e do exterior, não conseguimos competir, por exemplo, com eventos pontuais de distribuição de mudas de espécies árvores exóticas ou o projeto de educação ambiental de outra empresa que deu um prêmio de R$ 500 para uma escola pela "criatividade" de reaproveitar o lixo, transformando uma caixa de papelão na forma de um computador, agregando tintas e outros materiais tóxicos. Ou seja, a caixa de papelão que poderia ser reciclada entregando-a limpinha para um catador agora vai para o lixo comum impregnada de produtos tóxicos. Este projeto da empresa ganhou destaque na edição estadual do maior jornal de Santa Catarina.

Quando a gente vê a edição impressa do jornal, com anúncios grandes e coloridos da empresa poluidora (com processos por vários crimes ambientais) em quase todas as páginas dá para entender tudo. Nossa esperança é a Internet, como o site O Eco.

Certa vez, ganhei um manual de comunicação para ONGs com uma dica para aproveitar bem as datas comemorativas para divulgar as ações em prol da sociedade, pois a imprensa costuma dar espaço para o trabalho desenvolvido pelas ONGs nestas datas. Acho que eles só esqueceram de alertar que no manual de comunicação do departamento de marketing das empresas também tem dicas parecidas e que elas inventam qualquer coisa, partem para o vale tudo, para ocupar este espaço.

É claro que nem todas as empresas agem assim. Temos muitos exemplos de empresas que realmente são responsáveis com o meio ambiente e que contribuem significativamente com a causa ambiental, fortalecendo as ONGs ambientalistas e também realizando projetos sérios de educação ambiental diretamente com as escolas.

Muitas empresas estão também se esforçando para melhorarem sua conduta ambiental e além de se adequarem à legislação ambiental investem recursos financeiros nos projetos das escolas e não apenas nos anúncios publicitários com utilização das prefeituras para executarem as "idéias".

Aos poucos estamos construindo uma sociedade mais ética, cada vez mais crítica e consciente dos problemas ambientais. A geração que está vindo aí será bem melhor do que a nossa e certamente não vai aceitar mais o marketing verde enganoso de empresas e tampouco os meios de comunicação que propagam isso. E quem não mudar já tem data para fechar.