quarta-feira, 3 de junho de 2009

Marcas, mídias e responsabilidade social

Na cobertura do Unomarketing, evento que acontece em São Paulo durante esta semana e que discute o marketing sustentável e a comunicação consciente, hoje o assunto foi a comunicação responsável, como falou a repórter Letícia Freire, do site Mercado Ético:

Você conhece uma agência de publicidade que, além de ter uma gestão participativa, publica o relatório de atividades? A pergunta foi feita num quizz eletrônico, no intervalo da I Feira e Seminário de Marketing Sustentável Unomarketing: Comunicação Consciente. A resposta de mais de 70% da platéia foi um direto "não". Para aquecer o debate, palestrantes do seminário "Processos criativos x valores" pontuaram a importância de marcas e processos de comunicação mais responsáveis.

Segundo Yacoff Sarcovas, presidente da agência Significa, a atitude de marca não é uma moda. Para ele, essa é uma forma como as empresas estão encontrando para tangibilizar a marcar a sua ação social. "A chamada atitude de marca não é uma tendência; ela já é parte da agenda estratégica de uma organização que entende o impacto dessa cadeia de valor"; não é mais possível iludir o consumidor com promessas vazias", afirmou Sarcovas.

Para ele, é imprescindível alinhar meio de comunicação, conteúdo, forma e conduta para produzir uma comunicação responsável. "A publicidade tem a licença poética do exagero, mas quando se trata de uma causa deve haver o máximo de firmeza para assegurar total verdade e relevância da mensagem". Ainda segundo Sarcovas, a empresa que não respeita essa regra corre o perigo de ser rejeitado pelo consumidor. "O impacto da ação da marca já começa a ser questionado pelo consumidor, o que mostra que o público não é ingênuo"

Já Antonio Peres, da Peres & Partners de Portugal, lembrou que o consumidor está cada vez mais próximo da informação, principalmente após a internet, e que isso exige da empresa mais transparência em seus anuncios. "Temos que parar de achar que somos a alma do negócio. No momento atual as ações de responsabilidade social tem mais importância que um anúncio. Na Europa, por exemplo, elas são exigidas das empresas e serão cada vez mais cobradas pela sociedade", ressaltou.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A devastação no Pantanal

No programa de rádio do Observatório da Imprensa de hoje, Luciano Martins Costa falou sobre a reportagem de Época denunciando a devastação do Pantanal.
 
Vale a pena ler o comentário, que começa assim:
 

A revista Época traz nesta semana uma reportagem sobre o tema meio ambiente, inserida na seção de ciência e tecnologia. Ali estão assinalados os nomes de três empresas do setor de mineração, que têm excelentes relações com a imprensa: Vale, Votorantim e Rio Tinto. Elas são citadas com cautela, mas não se pode escapar do que afirma a reportagem: as empresas do setor são as principais estimuladoras da produção irregular de carvão vegetal que vem destruindo o Pantanal Matogrossense.

Numa semana em que a chamada bancada ruralista, fortalecida pela banda podre do Congresso e estimulada pela omissão da imprensa (ver aqui), tenta fazer passar uma lei que pode enfraquecer ainda mais a luta pela preservação do patrimônio ambiental brasileiro, a reportagem de Época merece muita reflexão. Ela reproduz um estudo até então inédito revelando que o Pantanal já perdeu 40% de sua cobertura vegetal.

 
Leia o restante aqui. Já a reportagem de Época, só na revista impressa ou no site para assinantes.

Comunicadores discutem responsabilidade social

A seguir, relato do jornalista Henrique Andrade Camargo, publicado no site do Mercado Ético hoje, 2/6

Fotos: Leticia Freire
Quem trabalha com publicidade, propaganda e marketing está acostumado a criar e trabalhar os desejos de consumo. Mas o que acontece quando o "ter" começa a ser questionado por esses profissionais? E quando a necessidade de valorização do "ser"ocupa a cabeça criativa dessas pessoas? Com essa provocação teve início na manhã de hoje (2/6), em São Paulo, o Unomarketing - Comunicação Consciente, um evento que tem o objetivo de debater a sustentabilidade e o compromisso social das organizações ligadas à mídia.

Criar com responsabilidade. Estar atento no impacto da mensagem dentro de uma cadeia de valor e produção. Essa é uma preocupação crescente para os profissionais da mídia, que entendem sua co-responsabilidade na construção de um mundo mais sustentável. Ainda assim, trabalhar a questão de gerar a necessidade do "ter" não é uma tarefa fácil.

Para Christina Carvalho Pinto, publicitária, presidente da Full Jazz e líder da plataforma Mercado Ético, essa mudança de paradigma é difícil, principalmente na área publicitária. O segredo, segundo ela, é definir uma posição responsável no mercado e, assim, identificar as marcas com as quais se quer trabalhar. "Se você questiona seu papel no mundo e se pergunta o porque de muita coisa, vai encontrar a resposta dentro de você mesmo, ou seja, nós precisamos trabalhar por uma mídia mais ética e construtiva", diz.

Christina participou do primeiro painel do dia, ao lado do colombiano Jayme Jaramillo, indicado ao Prêmio Nobel da Paz; Eraldo Carneiro, gerente de planejamento e gestão de comunicação da Petrobras; e Albert Alcouloumbre Junior, diretor de planejamento e projetos sociais da Rede Globo. O tema proposto foi "Além da redação: estou comprometido com a minha responsabilidade social?".

Segundo a publicitária, muitas agências têm dificuldade em entender que criatividade demanda responsabilidade. "Muitas vezes, para ganhar a piada, perde-se o respeito pelo outro. Isso não faz sentido. Entendo criatividade como a abertura de novas visões. Procuro pensar no efeito que minha mensagem pode causar na audiência. Todo processo criativo deve ser usado com responsabilidade. Trata-se acima de tudo de relações de respeito e coerência com as diversas pessoas que direta ou indiretamente receberão a mensagem", completa.

Alcouloumbre, diretor de planejamento e projetos sociais da Rede Globo, concorda com Christina e acrescenta que essa tendência de questionar os processos produtivos e a veracidade da informação é, de certa parte, uma das conseqüências da atual crise econômica. "As pessoas estão acuadas diante dos fatos e partir daí elas passam a se questionar cada vez mais seus próprios valores éticos, humanísticos e espirituais", afirma. Para ele isso é positivo, na medida que gera transformação dentro das estruturas sociais. Mas segundo Alcouloumbre, o homem tem uma tendência a se acomodar depois do susto e continuar atuando da mesma forma. "Fico em dúvida se, assim que a crise passar, não voltaremos ao mesmo patamar comportamental de antes", questiona.

Já Carneiro, gerente de planejamento e gestão de comunicação da Petrobras, diz-se otimista com o cenário mundial. Para ele, a comunicação começa a apoiar os processos educacionais do país. "A comunicação é a melhor forma de educação" afirma. "Podemos usar isso de forma positiva e conseqüente, promover a formação e a mudança cultural dentro do público de uma empresa", acredita.

A importância da responsabilidade social é reforçada com o exemplo de Jaramillo, que desenvolve projetos voltados para crianças que vivem na rua na Colômbia. Indicado ao Nobel da Paz, Papa Jaime, como é conhecido, afirma que conectar mente e coração é a forma de nos tornarmos seres humanos melhores e aprimorar nossa ação no mundo. "Vivemos num mundo difícil, as pessoas se falam pouco e a comunicação é um grande problema mas também uma solução" pontua. "A força está em entender que sempre podemos fazer alguma coisa para fazer a diferença. Precisamos nos conectar com nossos sonhos e valores", concluiu.

O que torna uma grande empresa socialmente responsável?

Do excelente blog de Malle Baker, vem esta reflexão sobre liderança e perenidade em responsabilidade social.


Qual destas situações você prefere para sua vida - e para os efeitos desta questão tem de ser uma ou a outra.

Você prefere viver até a velhice, tendo tido momentos agradáveis e geralmente sendo lembrado como moderadamente bem sucedido. Ou será que você prefere sido visto como uma grande pessoa, cujas ações moldaram o curso da história, mas que morreu muito jovem?

O consultor de negócios gru Jim Collins define grandes empresas como aquelas que foram bem sucedidas ao longo do tempo.

Não apenas no topo da sua indústria durante alguns anos, mas por  muitas décadas.

Outro consultor, Tom Peters, rejeita essa definição. Para ele, a Microsoft era uma grande empresa, porque mudou seu setor para sempre.

Ele não se preocupa muito se ela ainda durará cerca de 50 anos

Se você é um acionista, provavelmente você prefere a versão de Collins, pois ela dá a promessa de futuro desempenho financeiro.

A versão de Peters é de interesse para analistas, que querem compreender os grandes feitos que mudam o mundo e só podem ser entendido após acontecerem.
Agora vamos mudar a pergunta. O que torna um líder em responsabilidade social?

É a empresa que durante dez anos na fila - e quem sabe, talvez vinte ou trinta anos - tem assento no topo da sua indústria do ranking em um índice como o Grupo Dow Jones Sustainability Index?

Ou é a empresa que desafia a sua indústria ao quebrar paradigmas, fazendo algo diferente e alterando a maneira como as coisas passam a ser feitas? Esta empresa pode não exatamente estar no alto dos rankings de negócios.


O primeiro tipo de empresa é aquela em que resultados esperados vêm de práticas gerenciais adequadas.

O segundo é sobre liderança, coragem e estar preparado para assumir riscos.

O primeiro definitivamente irá ver alguns benefícios.

O último pode ganhar triunfantemente ou pode perder horrivelmente.


O primeiro pode ser conseguido seguindo sistemas experimentados e testados e aplicando políticas e abordagens comuns.

O segundo tipo de empresas pode ser inspirado por histórias, e por compreender as conseqüências da manutenção do status quo levando a um sentido da urgência da mudança.

Acho que ambos são importantes. Mas também penso que a indústria da RSE indústria supervaloriza o primeiro tipo, e perde completamente o último.

 

terça-feira, 19 de maio de 2009

O debate que falta

Comentário do jornalista Luciano Martins Costa para o programa de rádio do Observatório da Imprensa de hoje, 19/5
 

O governo federal acaba de tomar decisão importante para a compreensão da estratégia de desenvolvimento que o Brasil adota. Dos grandes jornais diários de circulação nacional, apenas a Folha de S.Paulo registrou a medida. Trata-se da redução do valor que as empresas devem pagar por obras como rodovias e hidrelétricas, a título de compensação por danos ambientais.

O valor estabelecido há quase dez anos era de no mínimo 0,5% sobre o custo total da obra. O Ministério do Meio Ambiente defendia o aumento do piso para 2%, mas, ao contrário das expectativas e da opinião dos ambientalistas, o decreto presidencial noticiado na terça-feira (19/5) pela Folha revela que o Executivo decidiu que 0,5% será o teto máximo da taxa de compensação.

O Estado de S.Paulo ignora o acontecimento, e também não traz outras informações sobre a questão ambiental, porque dedica apenas uma seção fixa, semanal, para o assunto. A edição da terça-feira de O Globo traz o tema meio ambiente no pé do noticiário científico, mas também deixa passar em branco o decreto presidencial.

Trata-se de medida essencial para sinalizar a verdadeira disposição do governo de preservar o patrimônio biológico do país ao mesmo tempo em que procura acelerar o crescimento econômico. E o sinal emitido com esse decreto não é verde.

Oportunidade perdida

As grandes obras já em andamento ou planejadas no Plano de Aceleração do Crescimento – pacote de empreendimentos com os quais se pretende melhorar e ampliar a infra-estrutura de transportes e geração de energia – , têm sido tema constante na imprensa, mas em geral o noticiário se refere a custos ou à conveniência de determinadas escolhas técnicas.

Em raros momentos, no período de quase dois anos em que se desenvolve o PAC, os jornais e revistas colocaram em debate público a estratégia de desenvolvimento no que se refere à sustentabilidade.

O decreto presidencial reduzindo as exigências para a compensação ambiental de grandes obras seria uma grande oportunidade para aprofundar o debate. Mas a imprensa adora perder oportunidades.

Avançando para trás

O valor das compensações ambientais não é o único elemento para avaliar as intenções de planos de desenvolvimento no que se refere à preservação ambiental, mas essa questão não deveria ser descartada dos debates econômicos.

No noticiário recente sobre o tema, os jornais têm dado mais atenção às performances midiáticas do ministro do Meio Ambiente Carlos Minc do que às medidas efetivas que poderiam resguardar o patrimônio do país nos locais onde há grandes obras em andamento.

A mais recente participação do ministro no espetáculo noticioso foi seu apoio público às tímidas manifestações que ocorreram em algumas cidades em defesa da descriminalização de drogas. A continuar nesse estilo, Carlos Minc acaba celebrizado como o ministro do Meio Ambiente que se dedicou à defesa de apenas uma espécie vegetal, a cannabis sativa.

A imprensa parece se divertir, ou pelo menos se distrai com o desempenho pouco convencional do ministro. Enquanto isso, em termos ambientais o Brasil anda para trás, sob os olhares complacentes da mídia.


segunda-feira, 18 de maio de 2009

ONU usa o Twitter para promover o plantio de árvores



Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5 de junho, as Nações Unidas anunciaram ontem a meta de plantar sete bilhões de árvores até o fim deste ano, numa tentativa de estimular os líderes mundiais, que se reúnem em dezembro na cidade de Copenhague, a chegar a um novo acordo para combater a mudança climática.

Como parte da iniciativa, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) promete plantar uma árvore para cada pessoa que seguir o perfil da campanha no Twitter até 5 de junho. O Programa espera atrair 100 mil pessoas até essa data. "Para alcançar a meta de árvores plantadas, precisamos do apoio de escolas, governos, empresário e cidadãos", afirmou o Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner.

O PNUMA pediu apoio mundial a essa meta. Até agora, cerca de três bilhões de árvores já foram plantadas em mais de 150 países. "Plantando uma árvore ou milhares, o PNUMA pede que as pessoas registrem sua cota de árvores no site da campanha", disse o Programa em nota publicada. Para Steiner, se metade das pessoas do mundo plantar, cada uma delas, uma muda até o Dia Mundial do Meio Ambiente, esta seria uma "mensagem poderosa para que os líderes mundiais cheguem a um acordo".

A meta de plantio é só o primeiro de uma série de eventos de participação coletiva promovidos pela campanha "Selem o acordo!" das Nações Unidas.

http://rio.unic.org/index.php?option=com_content&task=view&id=1806&Itemid=73
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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Fórum discute relação de Comunicação com Sustentabilidade

Saiu hoje no site Mercado Ético uma reportagem sobre o II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, que aconteceu nos dias 6 e 7 de maio em São Paulo. Segue a íntegra:
 
08/05/2009 - 17:07:19

Educação + Comunicação = Sustentabilidade

Leticia Freire, do Mercado Ético

Foto: Bruno Mooca
II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade: dois dias (6 e 7/5) de muita conversa sobre o papel da educação e da comunicação na consolidação mundial de uma cultura de sustentabilidade. Tendo como porta-estandarte a Carta da Terra, o evento focou na discussão da diversidade humana, no meio ambiente e nos fatos históricos das crises econômicas recentes para o encontro de soluções para os problemas globais.

O evento tem como principal objetivo a promoção do entendimento e a discussão entre os setores público, privado e sociedade civil sobre o papel educativo da comunicação para a compreensão do conceito de sustentabilidade. Entre os palestrantes filósofos, pacifistas, intelectuais, educadores, políticos e empresários. Na abertura, mais de 1.500 estudantes, dos 3.000 inscritos, faziam fila no Palácio de Convenções do Anhembi.

Jorge Macedo Pires, estudante de Comunicação Social da PUC-SP veio conferir se comunicação também é sinônimo de sustentabilidade. "Acredito que uma coisa não ande sem a outra. Para fazer a diferença é preciso saber como", pontua. Fabiane Araújo, estudante de jornalismo também da PUC/SP concordou com o amigo e lamentou que muitos estudantes ainda não compreenderam a importância do tema. "Vemos tantas pessoas se formando e sendo responsáveis por comunicar coisas que nunca tiveram interesse em ouvir. Esse é um evento gratuito e muito pertinente para a formação do estudante, a academia deveria se preocupar mais com a qualidade do profissional que lança no mercado de trabalho", relata.

Ambos estavam visivelmente ansiosos para as palestras do dia, assim como Mariana Figueredo, estudante de pedagogia da Universidade São Judas. "Vim ouvir a monja Coen falando da Carta da Terra e me esbaldar com os pensamentos de Bernardo Toro e Férrez", sorri.

Na abertura do evento, monja Coen, missionária zen-budista que divulga o princípio da não-violência e da criação de uma cultura de paz, pediu a todos os participantes mais atenção à forma como reverenciamos a vida na Terra. "Quando a Carta da Terra afirma a interdependência de toda a vida existente e desperta a necessidade de construção de uma cultura de paz e respeito a todas as formas de vida, ela está afirmando que somos todos únicos, cada um de nós, mas que ao mesmo tempo somos interdependentes uns dos outros, como coparticipantes da mesma aventura da vida. O que exige de cada um de nós uma conduta ética constante", afirmou.

Dinâmicas verdadeiramente sustentáveis na sociedade

Cada ser humano é uma pequena sociedade, repleta de sonhos, desejos e necessidades. Segundo Bernardo Toro, educador e filósofo colombiano, para transformar a sociedade é importante enxergar - lá primeiro dentro dessa pluralidade. Para Toro ainda falta enxergar o homem como um ser que migra, levando e trazendo consigo muitas experiências, tradições e culturas vitais para o debate da sustentabilidade. "Para se ter idéia, hoje em dia 360 milhões de pessoas vivem fora de sua terra natal e movimentam mais de US$600 milhões em remessas de dinheiro às suas famílias. Isto faz com que seja necessário desenvolver, e rápido, maior capacidade pessoal de convívio com o diferente".

No que diz respeito ao binômio cultura e arte, Danilo Miranda, diretor regional do SESC, acredita que as dinâmicas sociais precisam ganhar mais espaço por meio da cultura e arte. "O binômio cultura e arte pode ser um elemento transformador da realidade se não for banalizada", disse. Para ele, cada um compõe um perfil dentro do espaço social, cultural e econômico e isso precisa ser reconhecido e democratizado como uma forma de arte-educação. "Não há transformação sem educação e a sociedade só pode viver uma dinâmica de desenvolvimento verdadeiramente sustentável se nela houver apoio efetivo à manifestação humana, sustentada por equipamentos culturais de qualidade", disse.

Democracia, paz e educação

Lord David Trimble, Prêmio Nobel da Paz em 1998 por sua atuação nas negociações de paz entre Irlanda e Irlanda do Norte, enfatizou o papel da educação na construção de uma sociedade pacífica. Para ele, a formação de cidadãos começa na escola e muitas instituições não estão priorizando isso. "Muitos dos integrantes de movimentos terroristas são tão desinformados sobre a possibilidade de apresentar suas reivindicações em um sistema democrático, e até mesmo vê-las aceitas, que não veem outra alternativa senão a força e a violência. No meu entender, parte da responsabilidade disto decorre do fato de os processos educacionais, no mundo inteiro, costumarem enfatizar os aspectos de formação profissional e deixar em plano muito secundário a formação cidadã" relatou.
Justiça social e econômica - o papel dos bancos

Edmund Phelps, Prêmio Nobel de Economia em 2006 por estudos sobre recessão e desemprego, afirmou que os bancos deveriam retornar ao seu papel de financiar a inovação e a produção, mesmo que isto implique tomar algum risco no investimento. "Estamos na lógica do eu e meu. Mas o egoísta se esquece que assim ficará sem ter a quem financiar", disse

O economista brasileiro Luiz Gonzaga Belluzzo tem a mesma opinião e criticou aos excessos das instituições financeiras a partir da virada do Século. "O setor financeiro está agindo errado. Precisamos inovações tecnológicas sendo apoiadas e financiadas em todo o mundo, redinamizando a economia em escala global e aportando socialmente novos e melhores processos produtivos".

Segundo ele, o endividamento chegou a 140% da renda disponível nos Estados Unidos e a 150%, na Inglaterra, e a expansão desenfreada do crédito e o surto consumista deterioraram completamente o sistema, inclusive com redução sensível das condições de vida até mesmo nos países ricos. "Bbasta lembrar que nos Estados Unidos a insuficiente assistência pública à saúde e a educação básica de baixa qualidade foram temas recorrentes nas últimas eleições norte-americanas", reforçou.

Meio ambiente, comunicação e mudança de comportamento

Mas nem tudo está perdido. O jornalista Florestan Fernandes Junior, afirmou que a comunidade começa a mudar seu comportamento. "Finalmente a ficha está caindo e a humanidade começa realmente a perceber a necessidade de mudar comportamentos", disse. Para Florestan, compete à comunicação disseminar as novas regras das dinâmicas sociais, culturais e econômicas.

Para a senadora Marina Silva, "a responsabilidade pela sustentabilidade deve ser partilhada igualmente entre todas as gerações". No encerramento dos debates, a ex-ministra do Meio Ambiente enfatizou o que será o principal desafio para todos os países. "O desenvolvimento articulado de ao menos seis aspectos sustentáveis nas diferentes sociedades humanas: sustentabilidade ambiental, cultural, econômica, estética, ética e política. Em não sendo assim, embora de um modo que as sociedades humanas nunca viram ou praticaram, não haverá verdadeira equidade nem sustentabilidade para a espécie humana viver em sociedade".

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Lucia Santa Cruz
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Antes de imprimir, pense em sua responsabilidade e seu compromisso com o meio ambiente.